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Ódio às Mulheres: o Arena Sociológica lança o Ciclo de Palestras sobre Violência de Gênero 2026.1

Parceria entre o PPGPSDH/UCPel, o Grupo de Pesquisa Corpos Cativos, o Observatório Nosotras e o LSd/Arena Sociológica reúne quatro das vozes mais relevantes do campo em um evento gratuito, online e com certificação


Tem coisas que a academia precisa dizer em voz alta. Não apenas nos artigos indexados, não apenas nos corredores dos congressos — mas para fora, para quem está na ponta, para quem sofre, para quem decide, para quem ainda não sabe que precisa ouvir. É com essa convicção que lançamos, neste primeiro semestre de 2026, mais uma edição do Ciclo de Palestras em Segurança Pública, Justiça e Violências.


O tema deste ciclo é urgente e incômodo do jeito certo: Ódio às Mulheres — Violências, moralizações e o impacto nas políticas públicas.


Por que falar em "ódio"?

A palavra não foi escolhida por acidente. Poderíamos ter dito "violência de gênero" — e diríamos, porque é disso que se trata. Mas "ódio" aponta para algo que vai além da descrição: aponta para a estrutura afetiva, política e cultural que alimenta essa violência. O feminicídio não é um acidente doméstico. A violência institucional não é descuido burocrático. O encarceramento seletivo de mulheres negras e periféricas não é coincidência estatística. E os discursos de redpills, inceldom e masculinidade tóxica não são apenas excentricidades da internet — são ideologias com consequências de carne e osso.

O ciclo parte dessa premissa analítica: para enfrentar a violência de gênero com seriedade, é preciso dissecar os seus fundamentos morais, jurídicos, culturais e políticos — não apenas catalogar seus efeitos.



Uma parceria que importa

Este evento é resultado de uma articulação institucional sólida entre grupos de pesquisa e iniciativas que trabalham, cada um à sua maneira, com as dimensões da violência, do controle e dos direitos:


O Grupo de Pesquisa Corpos Cativos (PPG em Política Social e DH/UCPel) investiga as intersecções entre corpo, cárcere, gênero e poder. O Observatório Nosotras traz o olhar situado e politicamente comprometido com o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas. O LSd — Laboratório Social de Administração da Justiça, Conflitos e Tecnologias (UCPel/INCT-InEAC) contribui com a perspectiva da sociologia da justiça e do controle social. O Arena Sociológica entra como plataforma de divulgação científica crítica, porque não basta produzir conhecimento — é preciso que ele circule.


A coordenação docente está a cargo dos professores Christiane Russomano Freire e Aknaton Toczek Souza, ambos do PPGPSDH/UCPel. A coordenação discente, fundamental para que a máquina rode, é composta pelas doutorandas Caroline Srynczyk da Silva e Raíssa Ferreira Miranda, e pelas mestrandas Laura Alves Menon e Rafaela Cedres Dias.

O evento conta ainda com apoio da FAPERGS e do GPIC/UCPel.


Os quatro painéis — e por que cada um deles é necessário


05 de maio — O impacto do neoconservadorismo na violência de gênero

Carmen Hein de Campos (UFPEL/UniBrasil)

Não dá para entender o retrocesso recente nas políticas de proteção às mulheres sem entender o neoconservadorismo como projeto político. Carmen Hein de Campos — referência nacional em Criminologia Feminista e legislação de gênero — vai abrir o ciclo com uma análise que conecta a agenda conservadora contemporânea à produção e legitimação da violência. Uma palestra para quem quer entender o por quê e não apenas o o quê.



12 de maio — Mulheres Encarceradas: gênero, raça e classe na atuação seletiva do sistema penal

Luciana Boiteux (UFRJ)

O Brasil tem a terceira maior população carcerária feminina do mundo. Esse dado não aparece sozinho: ele é o produto de escolhas políticas, racismo institucional e uma guerra às drogas que recai de forma desproporcional sobre mulheres negras e pobres. Luciana Boiteux — professora da UFRJ, doutora pela USP e uma das maiores especialistas do país em política de drogas — vai colocar esse debate em termos precisos. Quem o sistema pune, quem ele protege, e o que isso tem a ver com gênero e raça.



26 de maio — Redpills, razão misógena e o empreendedorismo do ódio

Pablo Ornelas Rosa (UVV)

A misoginia não nasceu na internet, mas a internet a industrializou. O universo dos redpills, dos incels e dos influenciadores de "masculinidade de verdade" não é um fenômeno marginal: é um ecossistema que produz identidades, comunidades, narrativas e, em casos extremos, violência física. Pablo Ornelas Rosa (UVV/NUPARC) vai analisar como esses discursos se organizam, como se monetizam e como se traduzem em práticas concretas de dominação e violência contra mulheres. A palestra mais provocativa do ciclo — e provavelmente a mais necessária para quem trabalha com segurança pública.



2 de junho — Direitos Humanos e Relações de Gênero: o enfrentamento à violência contra mulheres e meninas

Ivana Machado Battaglin (MP/RS)

Para fechar o ciclo, uma interlocutora que trabalha no campo institucional com a brutalidade do caso concreto: Ivana Battaglin, Promotora de Justiça e Coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPRS, criadora dos projetos "Fale com Elas" e "Lar: Lugar de Amor e Respeito", e integrante do Grupo Pandora, que desenvolveu o Instrumento de Avaliação de Violência Psicológica (IAVP). Uma fala que vai do diagnóstico às ferramentas práticas de enfrentamento.



Como participar

O ciclo é gratuito, online (transmissão ao vivo pelo canal Arena Sociológica no YouTube, via StreamYard) e com certificação emitida pela UCPel. As palestras acontecem às 18h, com duração de aproximadamente 1h15 cada.

Inscrições: gratuitas, com limite de 80 vagas para certificação. Os QR Codes de inscrição estão nos materiais de divulgação do evento.


Por que você deveria assistir


Porque violência de gênero não é pauta de nicho. Porque o neoconservadorismo e os discursos de ódio têm consequências políticas mensuráveis. Porque mulheres negras estão sendo encarceradas enquanto os debates sobre encarceramento feminino ainda são tratados como assunto secundário. Porque a misoginia online está moldando a masculinidade de uma geração. E porque a academia tem a obrigação — não apenas o privilégio — de participar desse debate de forma pública, qualificada e sem meias palavras.


O Ciclo de Palestras em Segurança Pública, Justiça e Violências existe precisamente para isso. Nos vemos no YouTube.


Coordenação docente: Prof. Dr. Aknaton Toczek Souza e Profª. Dra. Christiane Russomano Freire (PPGPSDH/UCPel) Realização: PPGPSDH/UCPel · Grupo de Pesquisa Corpos Cativos · Observatório Nosotras · LSd/UCPel · Arena Sociológica Apoio: FAPERGS · GPIC/UCPel

 
 
 

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