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Soberania, democracia e segurança pública: Arena Sociológica abre inscrições para novo Ciclo de Palestras

8 de out.
6 min de leitura

Entre 20 de outubro e 10 de novembro, quatro encontros gratuitos e on-line discutirão plataformas digitais, poder algorítmico, militarização policial e crime organizado.


Quem controla os algoritmos que organizam parte do debate público? Até que ponto a militarização da segurança pública é compatível com a democracia? O que muda quando passamos a tratar facções criminosas como organizações terroristas? E, afinal, o que significa falar em soberania em uma sociedade cada vez mais dependente de plataformas digitais?

Essas perguntas parecem pertencer a debates diferentes. Algumas remetem à tecnologia, outras à política, ao direito ou à segurança pública. Mas todas dizem respeito a uma questão fundamental: quem exerce o poder, como esse poder é legitimado e quais são suas consequências para a democracia e para os direitos das pessoas?


É a partir dessa preocupação que o Arena Sociológica apresenta uma nova edição do Ciclo de Palestras em Segurança Pública, Justiça e Violências | 2026.2, desta vez com o tema Soberania, Democracia e Segurança Pública.

Serão quatro encontros, realizados entre 20 de outubro e 10 de novembro de 2026, sempre às terças-feiras, das 18h às 19h, em formato on-line e com inscrições gratuitas.


Por que discutir soberania, democracia e segurança pública?

Quando falamos em soberania, normalmente pensamos no Estado, nas fronteiras nacionais e na capacidade de um país decidir seus próprios caminhos. Entretanto, as transformações contemporâneas exigem ampliar essa discussão.

Parte importante das nossas relações sociais, da circulação de informações, da formação de opiniões e mesmo da organização da atividade política acontece em ambientes digitais controlados por grandes empresas privadas. Seus algoritmos não apenas organizam conteúdos: participam da definição do que se torna visível, do que recebe atenção e das condições em que determinados discursos circulam.

Ao mesmo tempo, no campo da segurança pública, observamos disputas intensas sobre os limites da força estatal, a ampliação de discursos militarizados, as relações entre polícia e política e as respostas institucionais à criminalidade organizada.

Esses processos não são idênticos, mas compartilham questões importantes.

Quem decide? Quem controla? Quem pode ser responsabilizado? E quem suporta as consequências dessas decisões?

Uma democracia não se define apenas pela realização periódica de eleições. Ela também depende das condições concretas de participação política, da existência de instituições submetidas a controles públicos, da proteção dos direitos fundamentais e da possibilidade de contestar o exercício do poder.

É justamente nessas fronteiras — entre Estado e mercado, segurança e liberdade, tecnologia e política, legalidade e legitimidade — que pretendemos desenvolver os debates desta edição.

Mais do que oferecer respostas prontas, queremos colocar problemas em discussão, aproximar diferentes campos do conhecimento e contribuir para um debate público fundamentado em pesquisa, evidências e reflexão crítica.



Quatro encontros, diferentes dimensões de um mesmo

problema


20 de outubro — Letícia Cesarino

Plataformas, algoritmos e a crise da esfera pública: redes sociais e democracia

As redes sociais transformaram profundamente a maneira como as pessoas se informam, constroem identidades políticas, expressam opiniões e participam dos conflitos públicos.

Mas o que acontece quando parte significativa dessa experiência passa a ser organizada por algoritmos comerciais, mecanismos de recomendação e modelos de negócio baseados na disputa permanente por atenção?

Com pesquisas voltadas à antropologia digital e às relações entre tecnologias, política e sociedade, Letícia Cesarino contribuirá para discutir a plataformização da esfera pública, os processos de polarização e os desafios que essas transformações apresentam à democracia.

O problema não se resume à existência de notícias falsas ou ao comportamento individual dos usuários. É necessário compreender as próprias condições técnicas, econômicas e sociais que organizam a circulação da informação.


27 de outubro — Marcelo Bordin



Polícia, política e hipermilitarização: a segurança pública entre democracia e força


A segurança pública ocupa um lugar central nas disputas políticas brasileiras. Nesse cenário, a militarização não diz respeito apenas à presença de armamentos, equipamentos ou estruturas organizacionais de inspiração militar.

Ela também envolve formas de compreender os conflitos sociais, definir ameaças, construir inimigos e legitimar determinadas práticas de intervenção estatal.

Professor, sociólogo e geógrafo, pesquisador vinculado ao LSd/UCPel, INCT-InEAC e Arena Sociológica, Marcelo Bordin discutirá as relações entre polícia, política e hipermilitarização.

A proposta é refletir sobre os efeitos desse processo para as instituições policiais, as políticas de segurança e a própria democracia.

A questão é especialmente importante porque discutir o controle democrático das polícias não significa ignorar os problemas da criminalidade. Significa examinar como o Estado responde a esses problemas, quais instrumentos utiliza e sob quais limites institucionais.


3 de novembro — Camila Nunes Dias


Facções são organizações terroristas? Crime organizado, violência e os limites da categoria



O crescimento, a expansão territorial e a capacidade de articulação de organizações criminais colocam desafios reais às políticas de segurança pública e ao sistema de justiça.

Entretanto, a maneira como esses fenômenos são classificados também importa.

Nos últimos anos, propostas de enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas passaram a ocupar espaço no debate público brasileiro.

Mas quais são os critérios jurídicos e sociológicos envolvidos nessa classificação? Que diferenças existem entre crime organizado e terrorismo? E quais seriam as consequências políticas, institucionais e penais de aproximar essas categorias?

Pesquisadora reconhecida por seus estudos sobre o sistema prisional, o PCC e as dinâmicas do crime organizado, Camila Nunes Dias contribuirá para examinar essas questões.

O encontro pretende deslocar o debate das respostas simplificadoras para uma análise das formas de organização criminal, das relações de poder e dos efeitos concretos das políticas de enfrentamento.


10 de novembro — Sérgio Amadeu


Soberania digital e poder algorítmico: plataformas, democracia e controle



Quem controla as infraestruturas digitais das quais dependem governos, universidades, empresas e cidadãos?

Essa pergunta se tornou fundamental para compreender as transformações contemporâneas do poder.

As plataformas digitais não são apenas ferramentas de comunicação. Elas constituem infraestruturas econômicas, tecnológicas e políticas que condicionam atividades sociais e concentram capacidades de coleta, processamento e utilização de dados.

Nesse contexto, a soberania digital envolve problemas que ultrapassam a localização física de servidores ou a nacionalidade das empresas. Trata-se também da capacidade de conhecer, regular, desenvolver e controlar tecnologias estratégicas.

Sociólogo, professor e pesquisador das relações entre tecnologia e política, Sérgio Amadeu encerrará o ciclo discutindo as conexões entre poder algorítmico, plataformas digitais, democracia e soberania.

A discussão é particularmente relevante em um momento em que governos e instituições públicas ampliam sua dependência de sistemas digitais frequentemente desenvolvidos e administrados por agentes privados.


Pesquisa e debate público precisam caminhar juntos


O Ciclo de Palestras em Segurança Pública, Justiça e Violências integra o esforço coletivo do Arena Sociológica de aproximar a produção acadêmica dos problemas concretos da sociedade.

Nas edições anteriores, discutimos temas como a guerra às drogas, as políticas de cuidado, as violências de gênero e os desafios institucionais da segurança pública. Agora, buscamos aprofundar uma questão que atravessa todas essas agendas: as transformações nas formas de exercício, legitimação e contestação do poder.

Nossa proposta não é transformar cada palestra em uma sucessão de diagnósticos pessimistas, tampouco produzir consensos artificiais. A ciência social tem justamente a capacidade de tornar visíveis relações, conflitos e contradições que frequentemente aparecem naturalizados no cotidiano.

Queremos promover um espaço em que estudantes, docentes, pesquisadores, profissionais da segurança pública e do sistema de justiça, integrantes de movimentos sociais e todas as pessoas interessadas possam entrar em contato com diferentes perspectivas e participar de um debate qualificado.

Acreditamos que a universidade tem uma responsabilidade pública que não termina na sala de aula ou na publicação de artigos científicos.

Produzir conhecimento também significa colocá-lo em circulação, submetê-lo à crítica e contribuir para que mais pessoas possam compreender e questionar o mundo em que vivem.

É com esse espírito que convidamos você a participar.


Inscrições abertas: participe do ciclo


A participação é gratuita e a inscrição é única para os quatro encontros.


Datas: 20 e 27 de outubro; 3 e 10 de novembro de 2026Horário: 18h às 19h (horário de Brasília)Modalidade: On-lineInscrição: Gratuita



As orientações para acompanhar as transmissões serão divulgadas nos canais oficiais do Arena Sociológica.


Realização: Arena Sociológica, Laboratório Social de Administração da Justiça, Conflitos e Tecnologia (LSd/UCPel) e Grupo de Pesquisa Corpos Cativos.


Apoio institucional: CNPq, Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Programa de Pós-Graduação em Política Social e Direitos Humanos (PPGPSDH/UCPel), Direito UCPel, Universidade Vila Velha (UVV) e INCT-InEAC.


Participe, compartilhe e ajude a ampliar esse debate.


Arena Sociológica — Ciência, crítica e debate público.



 
 
 

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